Pensamentos eclipsados
Só dou opinião sobre a roupa dos outros.
Tenho ficado em silêncio nas redes sociais. Não tenho tido vontade de seguir do mesmo jeito e isso exige encarar o que mudou, o que cansou, o que já não serve. E eu preciso voltar. Afinal, eu tenho uma história nessas redes.
Depois que o Instagram virou uma revista, teve até uma fase interessante nessa transformação, mas me cansou rápido. Não sei fazer isso. Estou cansada do close, da pose blasé. E é isso que mais vejo no meu meio. Moda… o que é isso, afinal? Cheio de especialistas. E as opiniões? Que chatice. Eu já fiz isso também. Credo, que vergonha.
Neste ano faço 56. Como sempre, de cinco em cinco anos me preparo para a chegada da idade redonda. É assim que funciona na minha cabeça. Como quero chegar aos 60? O que posso fazer agora para atingir meus objetivos? Desta vez demorei mais para pensar sobre isso. Afinal, estou ficando velha de verdade. Aliás, que velha, né? A nova velhice é um arraso. Amo fazer parte da geração que está inventando outra forma de envelhecer para quem vem depois. Tomara que deem conta. Duvido, mas tomara.
Voltando aqui, fiquei pensando no que realmente quero postar. Fiz do Instagram um meio de trabalho e foi muito bom para mim. Não me arrependo. Mas precisei repensar meus caminhos dentro do que gosto, com mais autonomia para ir e vir, sem pensar tanto no que é legal aos olhos dos millennials.
E tem isso aqui: eu quero sair de casa.
No meu caso, é isso. Quero sair de casa. Sabe quando o casal se separa e o homem sai? Ou quando os filhos saem? Sempre almejei sair de casa, porém escolhi ser mãe e levei essa responsabilidade a sério. Não saí. Conversando com minha caçula, combinamos nossos caminhos. Porque sou mulher. Não saio de casa assim, do nada, porque estou a fim. Não é tão simples.
Sigo mais um ano na perimenopausa. Este é o quarto. Como menstruei, já sabemos que 2026 não será o ano da minha esperada menopausa. Continuamos nesse limbo. Sou muito sensível fisicamente, meu corpo sente demais. Hoje mesmo, escrevendo, estou um caco. Menstruada.
Sobre trabalho, estou feliz com as consultorias. Amo levar meu conhecimento e minha história para quem quer usar a roupa como ferramenta de autoestima. Quero mudar algumas coisas na marca, na produção, fortalecer o upcycling. A nova tipografia das camisetas chegou. E mais algumas pequenas mudanças também.
Depois de mais de um ano, voltei para o Substack. Escrever é um belo exercício para quem é disléxica. Faz um ano que meu pai morreu. Há alguns meses que minha mãe também morreu. Isso cria um parâmetro estranho. De modo geral, me sinto menos cobrada.
Tenho jogado mais tarô do que imaginei que jogaria. Tenho juntado coisas e me desfeito de outras. É simbólico. Tenho evitado assuntos que me oprimem, pessoas que sugam energia, olhares enviesados. Tenho tentado seguir meu checklist, mesmo quando não dou conta. Ler mensagens não lidas, ainda que aos poucos. Voltar para a criatividade que foi roubada pela necessidade e pelas redes sociais.
Estou tentando ajustar isso para mim.
Continuo por aqui, sendo mais eu do que nunca e só dou opinião sobre a roupa dos outros.


